terça-feira, 27 de agosto de 2013
domingo, 11 de novembro de 2012
Nada contra, mas.... (by Otavio Zini)
Conjunções adversativas, partículas linguísticas que
relacionam sentenças, atribuindo-lhes por vezes alguma lógica (por
mais ilógica que esta lógica seja), pensamentos contrastantes,
opositivos ou restritivos, podemos citar diversos exemplos delas,
algumas mais usadas outras menos, como “portanto”, “conquanto”,
“porém”, “toda via” e o mais comum o “MAS”.
Fico admirado com a carga de preconceito que pode
carregar uma conjunção adversativa, uma palavrinha tão pequena e
tão carregada de exclusão, ela é tanto pérfida quanto hipócrita,
pérfida pela carga que permite carregar e hipócrita pois faz com
que as pessoas se escondam atrás dela. Que palavrinha vil, esse
“mas”, ouvimos a todo momento e por vezes nem percebemos o mal
que ele carrega, por outras parece que usamos de propósito como
máscara que esconda nossa verdadeira face, caso ainda não tenhas
percebido do que falo serei mais claro, super comum um tipo de frase
com essa conjunção adversativa: "não tenho nada contra X,
mas... (substitua o X pela palavra que denomine qualquer grupo:
mulheres, gays, quem tem HIV, negros, deficientes, ou qualquer outro
que te aprouver) e ai vem as piores asneiras, crendo, quem as
proferiu se encontrar livre de acusações de seu preconceito pelo
uso da conjunção adversativa.
Vale salientar que bastaria a pessoa que profere tal
tipo de frase trocar o X da questão por qualquer outro grupo e ver
como aparenta ser terrível o que a mesma diz, mas isto é deveras
cansativo, como é cansativo pensar um pouco antes de dizer asneiras.
Na coleção de asneiras preconceituosas, sob a disfarce
da conjunção adversativa “mas” posso citar algumas que guardei:
“Eu juro que não tenho nada contra, mas que essa
gente não é normal, não é”.
“Eu acho totalmente errado ficar discriminando, mas
não concordo com o estilo de vida dos gays.”
“Ele é gay, mas é uma ótima pessoa.”
“Eu até aceito, mas não sou obrigado a achar normal.
Não sou obrigado mesmo!”
“Eu até aceito, mas não quero saber de homem se
beijando na minha frente”
“Eu não tenho nada contra, mas acho um exagero todos
esses privilégios que eles têm.”
“Ele é gay? Nossa, mas parece tão normal...”
“Eu não tenho nada contra, tenho até vários amigos
que são, mas eles precisavam ser tão afetados?”
“Eu não tenho nenhum preconceito, mas o que vão
pensar se me verem com um gay?”
“Eu não tenho nada contra, mas se eles querem ficar
de mãos dadas, que façam isso sem ninguém ver, afinal não somos
obrigados”
Essas
são apenas algumas pérolas das asneiras preconceituosa que ouvimos
dia após dia, espero que daqui para frente sempre que fores usar a
conjunção adversativa “mas” ou que for dizer "não tenho
nada contra X, mas..." repense muitas vezes antes e de
preferência se cale!
domingo, 9 de setembro de 2012
Beijo para que? (By Otavio Zini)
“As pessoas ainda não estão preparadas para ver dois homossexuais
se beijando”, ouço muitas vezes essa afirmação, como se
devêssemos esperar pela aprovação das pessoas para nosso afeto,
como é difícil para as pessoas tentarem se colocar no lugar das outras,
um trabalho que deveria ser bem simples mas como é complicado,
imaginemos o contrário que virássemos para um casal hétero e
disséssemos que eles deveriam manter suas demonstrações de afeto
escondidas porque as pessoas não estão acostumadas, será que
achariam correto? Quando um casal de sexodiversos (aqueles que fogem
a heteronormatividade imposta) anda de mãos dadas ou trocam
demonstrações de afeto em público ele nada faz de diferente dos
outros casais, e não, eles não estão querendo enfiar goela abaixo
seu modo de ser, ao menos não mais que qualquer outro casal, se as
pessoas acham estranho, mais ainda deveria ser feito para que a
prática passasse a ser vista como comum, sem visibilidade não temos
como acabar ou ao menos minorar o preconceito.
Um exemplo claro disso é a participação feminina na política, a
tempos não muito distantes a mulher era vista como incapaz para
cargos eletivos, foi necessário uma lei que obrigasse os partido a
terem um número mínimo de candidatos do sexo feminino para que começassem a serem vistas e acreditadas, será que sem essa
visibilidade, a maioria acreditaria na capacidade da mulher?
Provavelmente ela ainda estivesse sem voz, submissa aos caprichos de
uma sociedade que apenas valoriza o cidadão branco, macho e
heterossexual.
Infelizmente a frase que inicia o texto não é a única e não a
ouço apenas falada por heterossexuais, o preconceito mesmo entre os
sexodiversos campeia, talvez por ouvirmos tanto que não somos
“normais”, que devemos nos esconder, sermos invisíveis, acabamos
por repetir essas atrocidades, me pergunto quando nos veremos como
pessoas normais, tão dignas de direitos quanto os outros.
Ouço pessoa perguntarem: “Como vou explicar a meus filhos, netos
ou sobrinhos quando eles presenciarem um casal homossexual se
beijando?”, essa realmente me faz rir, para não chorar, eu apenas
digo já explicastes a eles quando eles veem um casal heterossexual
se beijando que o beijo é apenas uma demonstração de afeto entre
duas pessoas que se gostam? E me dizem - “Mas isso eles não
perguntam.” - de pronto rebato - “e porque perguntariam da outra
situação? Será que não foi você que a colocou como estranha para
eles? Será que não colocou como “anormal”? Será que você não
os está criando para serem os preconceituosos de amanhã? Por que
será que eles não te perguntam porque aquela pessoa é negra (pelo
menos não perguntam mais, pois essa já foi uma pergunta comum)?
Talvez porque, nesse caso, já tenhas ao menos reduzido seu preconceito
e não mais o passe a seus filhos, sobrinhos e netos.
A sexualidade é algo inerente à pessoa, o desejo por essa ou aquela pessoa
não é "passado" nem ensinado, por mais que alguns queiram dizer o
contrário, vejamos o exemplo que tínhamos a algum tempo atrás
quando os casais inter-raciais eram vistos como “anormais”,
dizia-se que se as crianças vissem esses casais como coisa normal
iriam querer se relacionar com pessoas “diferentes”, sei que hoje
uma afirmação dessa, é vista como absurda, mas a relativo pouco
tempo, era bem normal, agora pergunto, a visualização destes casais
como normais alterou o desejo de alguém? Será que o desejo pode ser
modificado? Acredito que a única coisa que pode ser modificado é a
aceitação do desejo e não a quem ele é orientado, esta aceitação
nos faz plenos já que podemos expressar e viver nossos desejos na sua plenitude
sem nos enganarmos para tentar agradar ou ser aceito por quer quer que seja.
Por esses e outros motivos devemos nos mostrar muito mais, vamos
beijar muito, andar sempre de mãos dadas, trocando olhares
apaixonados quem sabe dessa forma conseguimos diminuir o preconceito
nosso de cada dia.
terça-feira, 31 de julho de 2012
Passivo ou ativo, o machismo e a misoginia nossa de cada dia.... (por Otavio Zini)
É muito
comum os oprimidos fazerem bandeira por serem oprimidos e alardearem
aos quatro ventos “eu não sou preconceituoso!”, mas será mesmo?
Os mais diversos preconceitos encontram-se tão mimetizados e
enraizados em nós que caso não façamos um bom trabalho de
jardinagem, que deve ser feito a cada momento, essas ervas daninhas
comprometem toda a beleza que poderia ser o nosso jardim interior.
Começo
esse texto assim de forma evasiva para levantar algumas perguntas que
me foram muitas vezes feitas e outras que ainda me são feitas -
“Você é ativo ou passivo?” - sempre que eu ouvia essa
pergunta, a primeira resposta que me vinha a cabeça era: “sou
reflexivo” - mas quando dava essa resposta sempre me perguntavam -
“Como assim?” - no que de pronto eu respondia: “Quando me fazem
essa pergunta eu sento e reflito, o que estou fazendo aqui?” Outra
pergunta que sempre me irritou era: “Você não é afeminado,
é?” talvez essa me irritasse ainda mais, pois esquecemos que
os papéis masculinos e femininos se permeiam em todas as pessoas e a
beleza está exatamente na diversidade de expressões passíveis ao
ser humano, somos homens e mulheres o tempo inteiro, que problema há
nisso? Salvo sobre uma visão machista e misógina, que vê a mulher
como inferior, a maravilha da humanidade passa essencialmente na
versatilidades de papéis. Atualmente perguntam-nos - “Quem é o
homem e quem é a mulher na relação?”, Que pergunta infame,
acalmo-me e rebato com a pergunta: “Existe diferença entre ser
homem ou mulher? Acredito que na nossa relações somos companheiros
de jornada, mas se você vê diferenças adoraria saber quais são
elas, quem sabe eu aprendo a ver diferenças que até hoje não vi.”
Não entendo o porque das pessoas ficarem desconcertadas e não me
apresentarem as diferenças entre o homem e a mulher dentro de uma
relação amorosa, ou pelo menos a que elas acreditam que existam.
Historicamente
observando os papéis de macho e fêmea nos primevos grupos de
humanoides e nos animais atuais, vemos que às fêmeas cabem o papel
da caça ou coleta e cuidados da prole, enquanto aos machos o papel
de proteção ao grupo, isso em se tratando de grupos pequenos como o
dos leões, para isso a seleção natural impõe ao macho a força
física mas lhe retira a agilidade, enquanto premia a fêmea com
agilidade e astúcia, quando os pequenos grupos de humanoides
começaram a se agrupar o próprio número de indivíduos já bastava
para a proteção do bando, restringindo a função do macho apenas a
de fornecedor de sêmen, talvez por isso em primatas de grupos
grandes as decisões caibam as fêmeas e aos machos apenas o papel de
batedores quando da mudança de área de coleta.
No ser
humano o encéfalo desenvolvido permite o questionamento e a não
aceitação da condição imposta pela natureza, ao menos de forma
plácida, então talvez os machos ao se verem destituídos de quase
todas as suas funções passaram a implantar a ideia de que eram
superiores por sua força física e como a conciliação é uma
característica muito mais presente na fêmea, talvez esta para não
desagregar o grupo deixou que esta inverdade se propagasse, mas uma
mentira dita por muito tempo acaba sendo aceita como verdade, aí
nasce o machismo e disso advém a crença que tudo que é, mesmo
erroneamente, atribuído ao macho seja superior.
Quanto a
pergunta de ser passivo ou ativo, deveríamos primeiro nos perguntar
o que é ser passivo? Ou o que é ser ativo? Por definição passivo
seria o que se submete, o que deixa que decidam por ele, o que espera
placidamente por decisões e apenas as acatas sem discuti-las
enquanto uma pessoa ativa seria aquela que toma as rédeas da sua
vida em suas mão, que não aceita nada sem antes questiona-las, que
não espera as coisas acontecerem mas as faz acontecerem, que toma a
iniciativa, mas observemos de onde vem as referências a passividade
e a atividade em relação ao sexo, atribui-se normalmente o passivo
ao feminino, pois o machismo nosso de cada dia impõe o papel de
submissão à mulher, e mesmo no mundo LGBTT a misoginia campeia
então o papel feminino é execrado, é tido como inferior, como
desprezível, tanto que é muito comum vermos no movimento as
frases: “que nada ela é passivona”, ou ainda “olha a
cara de passiva dela” reproduzindo sem perceber a misoginia
imposta pela sociedade hétero-normativa, envergonha-me a redução
que é feita no papel sexual a apenas o coito, reduz-se o papel
sexual a quem coloca o falo no orifício, que desprezível,o ato
sexual é muito mais que apenas o coito, ele passa pelo olhar, pela
carícia, pela sedução, pela palavra, se fossemos apenas analisar o
coito seria como diria de forma hilária um grande amigo - “Passiva
eu? Eu não - eu dou, eu chupo, eu cheiro, eu vou atrás do bofe, eu
dou o bote, eu subo, faço pose de passista rebolando em carro
alegórico, enquanto ele ta lá, apenas um corpo estendido na cama,
passivo é ele que apenas coloca o pau duro, eu, eu sou a ativa eu
tomo a decisão, minha bunda e meu cu é quem me faz poderosa e
vitaminada”. quarta-feira, 25 de julho de 2012
Uma piada é só uma piada, será mesmo? (por Otavio Zini)
Hoje vem
à baila o humor sobre os homossexuais e voltamos às mesmas
justificativas, que é apenas humor, seria interessante quando vemos
uma piada com homossexuais, que tenhamos o bom senso de trocar os
papeis e ver o que acharíamos caso no lugar fosse colocado o negro
ou o religioso ou qualquer outro grupo protegido pela lei
anti-racismo, será que esta continuaria a ser vista como não
preconceituosa?
Com o
advento da Lei antirracismo passou-se a requerer uma maior
visibilidade do negro na mídia e em outras posições, o que
acarretou que este passasse a ser visto como alguém igual e não
diferente, sei que isso atualmente pode soar como “forçação de
barra”, mas para quem viveu essa luta sabe bem que o negro não era
visto como uma pessoa comum, da mesma forma que os homossexuais
(LGBTT) não são vistos como comum ou naturais hoje em dia, as
pessoas não gostavam de estar com negros pois estes poderiam
influenciar principalmente suas crianças, o casamento “inter-racial”
já foi até proibido, sendo uma das alegações para sua proibição
de como uma criança iria crescer tendo pais de “raças” (não
falo em etnias pois na época era falado raça) diferentes, afirmavam
que estas crianças cresceriam com traumas pois como os colegar
encarariam elas e seus pais, interessante perceber que este mesmo
argumento é usado hoje para adoção de crianças por casais homo
afetivos.
Na época
capeavam piadas ou ditos tais como “eu não sou preconceituoso com
o negro mas eles estão querendo direitos demais” ou “eu não
tenho nada contra negros mas daí a eles quererem casar com brancos
já é um absurdo”.
Fico a
imaginar se os negros ao invés de lutarem por seus direitos ficassem
a esperar como muitos queriam sob a alegação de que a sociedade
muda com o tempo, basta esperar. Será que realmente muda sem ações
afirmativas? Será que em verdade os grupos dominantes não querem
apenas nos convencer que muda apenas para manter sua dominação?
Outra
pergunta surge, quais seriam os principais lugares para ações
afirmativas? Uma das respostas mais óbvias é: na escola, mas como
promover essa ação na escola? Capacitando professores, informando
os alunos, demonstrando que não há nada de errado, ou feio, ou
imoral ou mesmo antinatural na diversidade sexual, sei que para
alguns podem dizer mas isso vai fazer com que nossas crianças se
tornem homossexuais, interessante salientar que estes mesmos que
afirmam estes absurdos são os que colocam a homossexualidade como
antinatural, e se isso fosse verdade, não seria mais fácil a
influência para a naturalidade? Os exemplos dessa normativa
heterossexual não estão em todos os lugares? Porque eles não
influenciam também? Seguindo este pensamento deveríamos imaginar
que a visualização de crimes por nossas crianças ou o debate
destes nas escolas iria influenciar nossas crianças a serem
criminosas, a terem comportamento psicótico e não é isso que se
observa.
Hoje por
questões de tabu com o corpo e com o sexo promovemos uma alta taxa
de egodistonia (quando os aspetos do pensamento, os impulsos,
atitudes, comportamentos e sentimentos contrariam e perturbam a
própria pessoa, como por exemplo num caso em que a pessoa é
homossexual mas discorda desta sua característica, principalmente
por pressão social) entre nossos jovens, que não expressam
livremente sua sexualidade nem tem uma relação saudável com seus
corpos, o efeito destes tabus sobre os corpos e mentes é tão danoso
e imperceptível em primeiro momento e estão tão arraigados em nós
que os perpetuamos sem nem saber o porque apenas por ato
condicionado, por exemplo o que difere um homem sem camisa de uma
mulher sem camisa? Salvo nosso tabu, mais nada, apesar disso vemos
como feio ou “imoral” uma mulher com os mamilos a mostra enquanto
achamos normal um homem com estes mesmos mamilos a mostra.
Alguns
falam muito sobre a tão odiosa "promiscuidade", mas o que
é essa promiscuidade? se é você ter domínio do seu próprio
corpo, de sua própria sexualidade, ter domínio das expressões do
seu corpo e não se dobrar sobre uma moral religiosa que só diz
respeito a quem é religioso, se é amar apenas tendo como limites os
aceitos por si próprio e por seu ou seus parceir@s eu desejo a todos
muita promiscuidade.
O amor
não me choca, o sexo muito menos, o que me choca e me revolta é a
violência e a falta de amor e carinho e não falo apenas do amor e
do carinho romântico mas o do esculachado que nos esquenta a coluna
vertebral, nos faz suspirar, os nossos corpos são belos sempre
independente de qualquer coisa, eles sempre tem sua beleza mas por
tabus temos medo e impomos limites a visualização de nossos corpos,
deixemos de hipocrisia, achar que um corpo desnudo é imoral é no
mínimo uma idiossincrasia dos hipócritas.
Precisamos
repensar os tabus sobre nossos corpos, sobre nossa sexualidade mas
principalmente precisamos repensar nosso discurso para não
reproduzirmos voluntária ou involuntariamente a discriminação
camuflada sob a égide do humor.
terça-feira, 5 de junho de 2012
Cântico Negro
Cântico Negro (José Régio)

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Acorda gente!!!!! (By Lunna Barreto Gomes & Otavio Zini)
Os homossexuais, hoje estão sendo caçados da mesma maneira que as
feministas foram na década de 70 e 80, por lutarem contra a opressão
machista em um mundo heteronomatizado. O homem hétero cristão já tem
seus representantes no poder, Silas Malafaia, Bolsonaro e família, Magno
Malta e tantos outros machistas que não aceitam que os homossexuais,
nascidos com “privilégios” de dominação igualmente dados a eles, abram
mão dessa vantagem, não exercendo o poder heteroxessista. Para estes
senhores sexistas, as lésbicas também são uma grande ameaça, pois além
de ignorar o domínio masculino perante o sexo e em suas relações
afetivas, ainda na ideia deles ,tentam usurpar o direito que para eles é
de sua natureza. A ideia é essa, desqualificar e demonizar a todo
instante, os seus opositores, igual como fizeram com os movimentos
feministas. Eles querem trazer de volta a pseudo família, a qual a
mulher passa a ser submissa (submissão = Obediência, sujeição,
humilhação, passividade, subserviência). Bem diferente de caminhar
junto, como alguns religiosos tentam nos fazer engolir. Estas
mentalidades retrogradas são muito bem representadas pelas, Caroline
Celico e Sarah Sheeva e tão bem cultuadas ultimamente pela mídia, por
suas declarações machistas e preconceituosas com a imagem da mulher. Meu
povo nossa luta é contra o império sexista evangélico fundamentalista e
toda esta mídia hipócrita e completamente sem noção, que prega que a
mulher tem que ter submissão e ser objeto de prazer para seus maridos,
sem o direito de opinar em nada, apenas abrir as pernas, arrumar a casa e
cuidar da prole, que prega que o direito de ser feliz é somente do
macho heterossexual.
Espanta-me como se articula o discurso que somos intolerantes, quando queremos fazer parar as agressões que sofremos, enquanto que eles não são intolerantes, nos agridem e nos colocam em uma condição de seres de segunda classe. Não podemos suportar isso, as questões de fôro íntimo só dizem respeito ao indivíduo. Por que dois homens ou duas mulheres se amarem incomoda tanto? Não pedimos para que os heterossexuais passem a ser homossexuais, apenas pedimos para sermos respeitados, para sermos cidadãos com plenos direitos nem mais nem menos, observamos um discurso que hoje esta na moda ser gay, por isso vemos tantas pessoas se dizendo gays, isso é uma mentira, não existe moda para o que não se escolhe e nem pode ser mudado. Apenas cansamos de nos esconder para satisfazer essa classe opressora e lutarmos por respeito como fizeram e fazem outras classes oprimidas. Chega de intolerância e usurpação de nossos direitos básicos, queremos ser cidadãos e queremos já.
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