terça-feira, 27 de agosto de 2013

Não compre uma briga que não é sua


“Não compre uma briga que não é sua”, ouvi essa frase hoje e atônito ainda com uma violência presenciada, de pronto não respondi, a essa afirmação cabem inúmeras perguntas, mas a principal delas, acredito, seja: existe luta que não seja nossa?
Dentre os dez mandamentos do advogado elaborados pelo uruguaio Eduardo Juan Couture nascido em 1904 e falecido em 1956 o quarto brilhantemente nos ensina “LUTA – Teu dever é lutar pelo Direito, mas no dia em que encontrares em conflito o direito e a justiça, luta pela justiça”.
Tendo essa assertiva como mote retorno à pergunta: Existe luta que não seja a nossa?
A única resposta possível é não, não existe luta que não seja nossa e não por sermos isso ou aquilo, mas por sermos seres humanos éticos.
Toda luta sempre apresenta no mínimo dois lados, um que oprime e outro que é oprimido e sempre que alguém silencia e resolve lavar as mãos ou como dizem não interferir, já esta interferindo e corroborando infelizmente com o lado do opressor.
Analisando historicamente temos o péssimo hábito de nos eximirmos de lutar, nos resguardando sob a égide da premissa, “essa luta não é minha”, ou ainda, “eu não tenho nada com isso”, dessa forma pergunto: Preciso ser negro para ser aliado de movimentos negros? Preciso ser soropositivo para ser aliado da luta pela destruição do preconceito contra as pessoas soropositivas? Preciso ser pessoa em situação de rua para ser aliada da causa pelo direito de ter uma moradia? Eu sempre preciso pertencer ao grupo, ter a mesma identidade do grupo que eu sou aliado? É evidente que não, da mesma forma eu não preciso ter sofrido a injustiça para lutar contra uma injustiça.
Espero ainda estar vivo para ver o dia em que as pessoas não se eximam de lutar pela justiça, fazendo desta sua principal bandeira, pena que os que mais se eximem, são os primeiros a reclamarem quando ninguém mais parte em sua defesa, que irônico.
Deixo para reflexão este poema, sem título, feito pelo pastor luterano alemão Martin Niemoller, preso por Hitler em 1938, durante a ascensão nazista.
“Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse” Martin Niemöller[1892-1984], Prêmio Lenin da Paz em 1966.

domingo, 11 de novembro de 2012

Nada contra, mas.... (by Otavio Zini)


Conjunções adversativas, partículas linguísticas que relacionam sentenças, atribuindo-lhes por vezes alguma lógica (por mais ilógica que esta lógica seja), pensamentos contrastantes, opositivos ou restritivos, podemos citar diversos exemplos delas, algumas mais usadas outras menos, como “portanto”, “conquanto”, “porém”, “toda via” e o mais comum o “MAS”.
Fico admirado com a carga de preconceito que pode carregar uma conjunção adversativa, uma palavrinha tão pequena e tão carregada de exclusão, ela é tanto pérfida quanto hipócrita, pérfida pela carga que permite carregar e hipócrita pois faz com que as pessoas se escondam atrás dela. Que palavrinha vil, esse “mas”, ouvimos a todo momento e por vezes nem percebemos o mal que ele carrega, por outras parece que usamos de propósito como máscara que esconda nossa verdadeira face, caso ainda não tenhas percebido do que falo serei mais claro, super comum um tipo de frase com essa conjunção adversativa: "não tenho nada contra X, mas... (substitua o X pela palavra que denomine qualquer grupo: mulheres, gays, quem tem HIV, negros, deficientes, ou qualquer outro que te aprouver) e ai vem as piores asneiras, crendo, quem as proferiu se encontrar livre de acusações de seu preconceito pelo uso da conjunção adversativa.
Vale salientar que bastaria a pessoa que profere tal tipo de frase trocar o X da questão por qualquer outro grupo e ver como aparenta ser terrível o que a mesma diz, mas isto é deveras cansativo, como é cansativo pensar um pouco antes de dizer asneiras.
Na coleção de asneiras preconceituosas, sob a disfarce da conjunção adversativa “mas” posso citar algumas que guardei:

“Eu juro que não tenho nada contra, mas que essa gente não é normal, não é”.
“Eu acho totalmente errado ficar discriminando, mas não concordo com o estilo de vida dos gays.”
“Ele é gay, mas é uma ótima pessoa.”
“Eu até aceito, mas não sou obrigado a achar normal. Não sou obrigado mesmo!”
“Eu até aceito, mas não quero saber de homem se beijando na minha frente”
“Eu não tenho nada contra, mas acho um exagero todos esses privilégios que eles têm.”
“Ele é gay? Nossa, mas parece tão normal...”
“Eu não tenho nada contra, tenho até vários amigos que são, mas eles precisavam ser tão afetados?”
“Eu não tenho nenhum preconceito, mas o que vão pensar se me verem com um gay?”
“Eu não tenho nada contra, mas se eles querem ficar de mãos dadas, que façam isso sem ninguém ver, afinal não somos obrigados”

Essas são apenas algumas pérolas das asneiras preconceituosa que ouvimos dia após dia, espero que daqui para frente sempre que fores usar a conjunção adversativa “mas” ou que for dizer "não tenho nada contra X, mas..." repense muitas vezes antes e de preferência se cale!

domingo, 9 de setembro de 2012

Beijo para que? (By Otavio Zini)


“As pessoas ainda não estão preparadas para ver dois homossexuais se beijando”, ouço muitas vezes essa afirmação, como se devêssemos esperar pela aprovação das pessoas para nosso afeto, como é difícil para as pessoas tentarem se colocar no lugar das outras, um trabalho que deveria ser bem simples mas como é complicado, imaginemos o contrário que virássemos para um casal hétero e disséssemos que eles deveriam manter suas demonstrações de afeto escondidas porque as pessoas não estão acostumadas, será que achariam correto? Quando um casal de sexodiversos (aqueles que fogem a heteronormatividade imposta) anda de mãos dadas ou trocam demonstrações de afeto em público ele nada faz de diferente dos outros casais, e não, eles não estão querendo enfiar goela abaixo seu modo de ser, ao menos não mais que qualquer outro casal, se as pessoas acham estranho, mais ainda deveria ser feito para que a prática passasse a ser vista como comum, sem visibilidade não temos como acabar ou ao menos minorar o preconceito.
Um exemplo claro disso é a participação feminina na política, a tempos não muito distantes a mulher era vista como incapaz para cargos eletivos, foi necessário uma lei que obrigasse os partido a terem um número mínimo de candidatos do sexo feminino para que começassem a serem vistas e acreditadas, será que sem essa visibilidade, a maioria acreditaria na capacidade da mulher? Provavelmente ela ainda estivesse sem voz, submissa aos caprichos de uma sociedade que apenas valoriza o cidadão branco, macho e heterossexual.
Infelizmente a frase que inicia o texto não é a única e não a ouço apenas falada por heterossexuais, o preconceito mesmo entre os sexodiversos campeia, talvez por ouvirmos tanto que não somos “normais”, que devemos nos esconder, sermos invisíveis, acabamos por repetir essas atrocidades, me pergunto quando nos veremos como pessoas normais, tão dignas de direitos quanto os outros.
Ouço pessoa perguntarem: “Como vou explicar a meus filhos, netos ou sobrinhos quando eles presenciarem um casal homossexual se beijando?”, essa realmente me faz rir, para não chorar, eu apenas digo já explicastes a eles quando eles veem um casal heterossexual se beijando que o beijo é apenas uma demonstração de afeto entre duas pessoas que se gostam? E me dizem - “Mas isso eles não perguntam.” - de pronto rebato - “e porque perguntariam da outra situação? Será que não foi você que a colocou como estranha para eles? Será que não colocou como “anormal”? Será que você não os está criando para serem os preconceituosos de amanhã? Por que será que eles não te perguntam porque aquela pessoa é negra (pelo menos não perguntam mais, pois essa já foi uma pergunta comum)? Talvez porque, nesse caso, já tenhas ao menos reduzido seu preconceito e não mais o passe a seus filhos, sobrinhos e netos.
A sexualidade é algo inerente à pessoa, o desejo por essa ou aquela pessoa não é "passado" nem ensinado, por mais que alguns queiram dizer o contrário, vejamos o exemplo que tínhamos a algum tempo atrás quando os casais inter-raciais eram vistos como “anormais”, dizia-se que se as crianças vissem esses casais como coisa normal iriam querer se relacionar com pessoas “diferentes”, sei que hoje uma afirmação dessa, é vista como absurda, mas a relativo pouco tempo, era bem normal, agora pergunto, a visualização destes casais como normais alterou o desejo de alguém? Será que o desejo pode ser modificado? Acredito que a única coisa que pode ser modificado é a aceitação do desejo e não a quem ele é orientado, esta aceitação nos faz plenos já que podemos expressar e viver nossos desejos na sua plenitude sem nos enganarmos para tentar agradar ou ser aceito por quer quer que seja.
Por esses e outros motivos devemos nos mostrar muito mais, vamos beijar muito, andar sempre de mãos dadas, trocando olhares apaixonados quem sabe dessa forma conseguimos diminuir o preconceito nosso de cada dia.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Passivo ou ativo, o machismo e a misoginia nossa de cada dia.... (por Otavio Zini)




É muito comum os oprimidos fazerem bandeira por serem oprimidos e alardearem aos quatro ventos “eu não sou preconceituoso!”, mas será mesmo? Os mais diversos preconceitos encontram-se tão mimetizados e enraizados em nós que caso não façamos um bom trabalho de jardinagem, que deve ser feito a cada momento, essas ervas daninhas comprometem toda a beleza que poderia ser o nosso jardim interior.
Começo esse texto assim de forma evasiva para levantar algumas perguntas que me foram muitas vezes feitas e outras que ainda me são feitas - “Você é ativo ou passivo?” - sempre que eu ouvia essa pergunta, a primeira resposta que me vinha a cabeça era: “sou reflexivo” - mas quando dava essa resposta sempre me perguntavam - “Como assim?” - no que de pronto eu respondia: “Quando me fazem essa pergunta eu sento e reflito, o que estou fazendo aqui?” Outra pergunta que sempre me irritou era: “Você não é afeminado, é?” talvez essa me irritasse ainda mais, pois esquecemos que os papéis masculinos e femininos se permeiam em todas as pessoas e a beleza está exatamente na diversidade de expressões passíveis ao ser humano, somos homens e mulheres o tempo inteiro, que problema há nisso? Salvo sobre uma visão machista e misógina, que vê a mulher como inferior, a maravilha da humanidade passa essencialmente na versatilidades de papéis. Atualmente perguntam-nos - “Quem é o homem e quem é a mulher na relação?”, Que pergunta infame, acalmo-me e rebato com a pergunta: “Existe diferença entre ser homem ou mulher? Acredito que na nossa relações somos companheiros de jornada, mas se você vê diferenças adoraria saber quais são elas, quem sabe eu aprendo a ver diferenças que até hoje não vi.” Não entendo o porque das pessoas ficarem desconcertadas e não me apresentarem as diferenças entre o homem e a mulher dentro de uma relação amorosa, ou pelo menos a que elas acreditam que existam.
Historicamente observando os papéis de macho e fêmea nos primevos grupos de humanoides e nos animais atuais, vemos que às fêmeas cabem o papel da caça ou coleta e cuidados da prole, enquanto aos machos o papel de proteção ao grupo, isso em se tratando de grupos pequenos como o dos leões, para isso a seleção natural impõe ao macho a força física mas lhe retira a agilidade, enquanto premia a fêmea com agilidade e astúcia, quando os pequenos grupos de humanoides começaram a se agrupar o próprio número de indivíduos já bastava para a proteção do bando, restringindo a função do macho apenas a de fornecedor de sêmen, talvez por isso em primatas de grupos grandes as decisões caibam as fêmeas e aos machos apenas o papel de batedores quando da mudança de área de coleta.
 No ser humano o encéfalo desenvolvido permite o questionamento e a não aceitação da condição imposta pela natureza, ao menos de forma plácida, então talvez os machos ao se verem destituídos de quase todas as suas funções passaram a implantar a ideia de que eram superiores por sua força física e como a conciliação é uma característica muito mais presente na fêmea, talvez esta para não desagregar o grupo deixou que esta inverdade se propagasse, mas uma mentira dita por muito tempo acaba sendo aceita como verdade, aí nasce o machismo e disso advém a crença que tudo que é, mesmo erroneamente, atribuído ao macho seja superior.
Quanto a pergunta de ser passivo ou ativo, deveríamos primeiro nos perguntar o que é ser passivo? Ou o que é ser ativo? Por definição passivo seria o que se submete, o que deixa que decidam por ele, o que espera placidamente por decisões e apenas as acatas sem discuti-las enquanto uma pessoa ativa seria aquela que toma as rédeas da sua vida em suas mão, que não aceita nada sem antes questiona-las, que não espera as coisas acontecerem mas as faz acontecerem, que toma a iniciativa, mas observemos de onde vem as referências a passividade e a atividade em relação ao sexo, atribui-se normalmente o passivo ao feminino, pois o machismo nosso de cada dia impõe o papel de submissão à mulher, e mesmo no mundo LGBTT a misoginia campeia então o papel feminino é execrado, é tido como inferior, como desprezível, tanto que é muito comum vermos no movimento as frases: “que nada ela é passivona”, ou ainda “olha a cara de passiva dela” reproduzindo sem perceber a misoginia imposta pela sociedade hétero-normativa, envergonha-me a redução que é feita no papel sexual a apenas o coito, reduz-se o papel sexual a quem coloca o falo no orifício, que desprezível,o ato sexual é muito mais que apenas o coito, ele passa pelo olhar, pela carícia, pela sedução, pela palavra, se fossemos apenas analisar o coito seria como diria de forma hilária um grande amigo - “Passiva eu? Eu não - eu dou, eu chupo, eu cheiro, eu vou atrás do bofe, eu dou o bote, eu subo, faço pose de passista rebolando em carro alegórico, enquanto ele ta lá, apenas um corpo estendido na cama, passivo é ele que apenas coloca o pau duro, eu, eu sou a ativa eu tomo a decisão, minha bunda e meu cu é quem me faz poderosa e vitaminada”.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Uma piada é só uma piada, será mesmo? (por Otavio Zini)


“Uma piada é só uma piada e não deveria ser vista como algo tão danoso”. Com frases como estas tivemos o avanço do nazismo e outros movimentos discriminatórios, quando em 1989 após muita luta conseguimos a aprovação da lei anti-racismo, diversos setores da sociedade afirmavam que esta lei era inconstitucional pois violava o direito à livre expressão, já que piadas poderiam ser consideradas como racistas e estas deveriam ser consideradas apenas piadas “inocentes”, hoje, mais de 20 anos se passaram o direito a livre expressão não foi tolhido, o humor continua, apenas o humor em relação aos negros tornou-se mais inteligente e menos agressivo.
Hoje vem à baila o humor sobre os homossexuais e voltamos às mesmas justificativas, que é apenas humor, seria interessante quando vemos uma piada com homossexuais, que tenhamos o bom senso de trocar os papeis e ver o que acharíamos caso no lugar fosse colocado o negro ou o religioso ou qualquer outro grupo protegido pela lei anti-racismo, será que esta continuaria a ser vista como não preconceituosa?
Com o advento da Lei antirracismo passou-se a requerer uma maior visibilidade do negro na mídia e em outras posições, o que acarretou que este passasse a ser visto como alguém igual e não diferente, sei que isso atualmente pode soar como “forçação de barra”, mas para quem viveu essa luta sabe bem que o negro não era visto como uma pessoa comum, da mesma forma que os homossexuais (LGBTT) não são vistos como comum ou naturais hoje em dia, as pessoas não gostavam de estar com negros pois estes poderiam influenciar principalmente suas crianças, o casamento “inter-racial” já foi até proibido, sendo uma das alegações para sua proibição de como uma criança iria crescer tendo pais de “raças” (não falo em etnias pois na época era falado raça) diferentes, afirmavam que estas crianças cresceriam com traumas pois como os colegar encarariam elas e seus pais, interessante perceber que este mesmo argumento é usado hoje para adoção de crianças por casais homo afetivos.
Na época capeavam piadas ou ditos tais como “eu não sou preconceituoso com o negro mas eles estão querendo direitos demais” ou “eu não tenho nada contra negros mas daí a eles quererem casar com brancos já é um absurdo”.
Fico a imaginar se os negros ao invés de lutarem por seus direitos ficassem a esperar como muitos queriam sob a alegação de que a sociedade muda com o tempo, basta esperar. Será que realmente muda sem ações afirmativas? Será que em verdade os grupos dominantes não querem apenas nos convencer que muda apenas para manter sua dominação?
Outra pergunta surge, quais seriam os principais lugares para ações afirmativas? Uma das respostas mais óbvias é: na escola, mas como promover essa ação na escola? Capacitando professores, informando os alunos, demonstrando que não há nada de errado, ou feio, ou imoral ou mesmo antinatural na diversidade sexual, sei que para alguns podem dizer mas isso vai fazer com que nossas crianças se tornem homossexuais, interessante salientar que estes mesmos que afirmam estes absurdos são os que colocam a homossexualidade como antinatural, e se isso fosse verdade, não seria mais fácil a influência para a naturalidade? Os exemplos dessa normativa heterossexual não estão em todos os lugares? Porque eles não influenciam também? Seguindo este pensamento deveríamos imaginar que a visualização de crimes por nossas crianças ou o debate destes nas escolas iria influenciar nossas crianças a serem criminosas, a terem comportamento psicótico e não é isso que se observa.
Hoje por questões de tabu com o corpo e com o sexo promovemos uma alta taxa de egodistonia (quando os aspetos do pensamento, os impulsos, atitudes, comportamentos e sentimentos contrariam e perturbam a própria pessoa, como por exemplo num caso em que a pessoa é homossexual mas discorda desta sua característica, principalmente por pressão social) entre nossos jovens, que não expressam livremente sua sexualidade nem tem uma relação saudável com seus corpos, o efeito destes tabus sobre os corpos e mentes é tão danoso e imperceptível em primeiro momento e estão tão arraigados em nós que os perpetuamos sem nem saber o porque apenas por ato condicionado, por exemplo o que difere um homem sem camisa de uma mulher sem camisa? Salvo nosso tabu, mais nada, apesar disso vemos como feio ou “imoral” uma mulher com os mamilos a mostra enquanto achamos normal um homem com estes mesmos mamilos a mostra.
Alguns falam muito sobre a tão odiosa "promiscuidade", mas o que é essa promiscuidade? se é você ter domínio do seu próprio corpo, de sua própria sexualidade, ter domínio das expressões do seu corpo e não se dobrar sobre uma moral religiosa que só diz respeito a quem é religioso, se é amar apenas tendo como limites os aceitos por si próprio e por seu ou seus parceir@s eu desejo a todos muita promiscuidade.
O amor não me choca, o sexo muito menos, o que me choca e me revolta é a violência e a falta de amor e carinho e não falo apenas do amor e do carinho romântico mas o do esculachado que nos esquenta a coluna vertebral, nos faz suspirar, os nossos corpos são belos sempre independente de qualquer coisa, eles sempre tem sua beleza mas por tabus temos medo e impomos limites a visualização de nossos corpos, deixemos de hipocrisia, achar que um corpo desnudo é imoral é no mínimo uma idiossincrasia dos hipócritas.
Precisamos repensar os tabus sobre nossos corpos, sobre nossa sexualidade mas principalmente precisamos repensar nosso discurso para não reproduzirmos voluntária ou involuntariamente a discriminação camuflada sob a égide do humor.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Cântico Negro

Cântico Negro (José Régio)


"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Acorda gente!!!!! (By Lunna Barreto Gomes & Otavio Zini)

Os homossexuais, hoje estão sendo caçados da mesma maneira que as feministas foram na década de 70 e 80, por lutarem contra a opressão machista em um mundo heteronomatizado. O homem hétero cristão já tem seus representantes no poder, Silas Malafaia, Bolsonaro e família, Magno Malta e tantos outros machistas que não aceitam que os homossexuais, nascidos com “privilégios” de dominação igualmente dados a eles, abram mão dessa vantagem, não exercendo o poder heteroxessista. Para estes senhores sexistas, as lésbicas também são uma grande ameaça, pois além de ignorar o domínio masculino perante o sexo e em suas relações afetivas, ainda na ideia deles ,tentam usurpar o direito que para eles é de sua natureza. A ideia é essa, desqualificar e demonizar a todo instante, os seus opositores, igual como fizeram com os movimentos feministas. Eles querem trazer de volta a pseudo família, a qual a mulher passa a ser submissa (submissão = Obediência, sujeição, humilhação, passividade, subserviência). Bem diferente de caminhar junto, como alguns religiosos tentam nos fazer engolir. Estas mentalidades retrogradas são muito bem representadas pelas, Caroline Celico e Sarah Sheeva e tão bem cultuadas ultimamente pela mídia, por suas declarações machistas e preconceituosas com a imagem da mulher. Meu povo nossa luta é contra o império sexista evangélico fundamentalista e toda esta mídia hipócrita e completamente sem noção, que prega que a mulher tem que ter submissão e ser objeto de prazer para seus maridos, sem o direito de opinar em nada, apenas abrir as pernas, arrumar a casa e cuidar da prole, que prega que o direito de ser feliz é somente do macho heterossexual.
Espanta-me como se articula o discurso que somos intolerantes, quando queremos fazer parar as agressões que sofremos, enquanto que eles não são intolerantes, nos agridem e nos colocam em uma condição de seres de segunda classe. Não podemos suportar isso, as questões de fôro íntimo só dizem respeito ao indivíduo. Por que dois homens ou duas mulheres se amarem incomoda tanto? Não pedimos para que os heterossexuais passem a ser homossexuais, apenas pedimos para sermos respeitados, para sermos cidadãos com plenos direitos nem mais nem menos, observamos um discurso que hoje esta na moda ser gay, por isso vemos tantas pessoas se dizendo gays, isso é uma mentira, não existe moda para o que não se escolhe e nem pode ser mudado. Apenas cansamos de nos esconder para satisfazer essa classe opressora e lutarmos por respeito como fizeram e fazem outras classes oprimidas. Chega de intolerância e usurpação de nossos direitos básicos, queremos ser cidadãos e queremos já.